segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Há dias...













Há dias...
Há dias que o azul do céu me parece o breu do mais profundo oceano e outros em que as nuvens escuras me trazem a translucidez das calmas águas do pacifico...
Há dias que a solidão me afaga o coração e me beija o corpo e outros que me tortura as emoções e dilaceraça a alma...
Há dias que a força que eu trago dentro de mim não movia uma pena por achar que não vale nada e há outros que eu moveria uma montanha só por achar que vale tudo...
Há dias que o silêncio me despoja as inseguranças e tranquiliza o meu ser, já outros escavam o vazio do meu peito e abrupta me o coração...
Há dias que um sorriso é sempre um sorriso e mostra nos o melhor de nós...
Há dias em que uma palavra de amor nos dá o alento que precisávamos...
Há dias em que um abraço nós dá o conforto de uma multidão...
Há dias que um olhar fala por uma eternidade...
Há dias em que um simples beijo é maior diamante que nos poderiam dar...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Dualidade...



A dualidade é como mergulhar num rio de lodo com águas translúcidas, é contraditório por natureza, estabelecendo uma diálogo interior que perturba a nossa paz,  nunca saindo do talvez... do se...e do quanto... e tantas mais outras suposições da nossa mente.
A nossa mente dualista está constantemente a projetar uma atracão ou rejeição sobre todas as pessoas ou coisas, originando o aparecimento da reação do desejo ou de aversão e logo a seguir vem a longa-metragem do preconceito e discriminação, o é mau...o é bom...vemos o que queremos ou seja ficaremos cegos justamente por ver...ver de uma forma dual é uma cegueira para a nossa própria evolução.
Na vida não vale a pena darmos muitas justificações nem tentar mudar ninguém pois cada um vê o que quer… e quando quer… Buda diz:  “Quando abre os olhos e tem a experiência de ver um mundo circundante, você é um cego contemplando a névoa de sua mente”.
É difícil viver sem dualidade utilizamos diariamente através da nossa linguagem e atitudes com classificações e conceitos e sem nos apercebermos matamos muitas coisas antes de elas nascerem e criamos muitas outras sem elas existirem.
Quantas e quantas vezes não damos oportunidade de ver crescer algo que a nossa mente caracterizou como não vale a pena...vai correr mal...não estou preparado...a nossa mente está a fazer uma projeção de rejeição e aversão "antes de ser já era".
E quantas vezes criamos "bolas de sabão" lindíssimas por fora e vazias por dentro aí a nossa mente está a fazer uma projeção de atracão e desejo, queremos tanto que vimos o que não existe.
O ideal seria não considerar nada do que fazemos e negar a considerar o que quer que seja não esperando nada... difícil...pois é mas temos que começar por algum lado nem que seja pelo terceiro lado do quadrado...

sábado, 16 de outubro de 2010

A Sombra

A sombra
O nosso lado sombra é aquele que não queremos recordar ,nem saber que ele existe e muito menos saber que ele comunica connosco,a sombra é tudo aquilo que nós temos a certeza que não somos.
É extremamente difícil pensarmos que nós somos tudo o que pensamos não ser,pois temos uma opinião bem definida acerca de quem somos,ficamos pasmados quando temos reacções que desconhecíamos ter até aquele momento ,sem carácter e até perturbadoras.
Quando essas reacções perturbadoras começam a aparecer na nossa vida e nós reparamos nelas como algo perturbador ou mesmo impróprias aí sim
começa-se a dar a cura,nada como reconhecer o nosso lado mais sombrio para o combater.
A nossa sombra é tudo o que tememos ,odiamos e rejeitamos,só queremos fugir dela e que nos deixe...
É por isso que se diz que nós somos o reflexo do que vimos nós outros ou seja,o que criticamos nós outros ou na sociedade é tudo o que nós somos e que está bem escondidinho lá nos fundo e não é nada mais nem nada menos que o nosso lado negro e sombrio,é por isso que nós criticamos porque é o que julgamos não ser,é claro que ao saber isto não é muito confortável.
A culpa é a reacção da sombra quando é reconhecida ou lembrada,esta serve para manter a separação entre a sombra e o ego,se recordar-mos quando culpamos repetidamente alguém existe sempre um sentimento associado medo,mágoa ou ódio ,e culpamos esse alguém por nos mostrar a nossa sombra e fazemos isso porque a sombra ameaça a nossa identidade e o ego necessita de reforçar o seu sentido de separação da sombra.
Todos sabemos o que é a negação é algo que está acima da culpa e que também a reconhecemos muito facilmente no outro e muito dificilmente em nós e isso acontece porque o ego tem que separar cada vez mais a sombra do nosso "eu" e parecer que ela não faz parte de nós ,pois quando isso for reconhecido o ego perde.
E o reconhecimento da nossa sombra faz parte da caminhada ,é o grande passo para a liberdade do espírito.

domingo, 2 de maio de 2010

A vida


A vida é um risco e tudo é impermanente é preciso correr riscos para sentir a brisa da liberdade.
Só realmente percebemos o milagre da vida quando deixamos que a vida nos dê o que realmente há para nós.
Todos os dias temos momentos únicos em que que algo de diferente e inesperado acontece,umas vezes não nos apercebemos deles outras vezes fingimos que não nos apercebemos ,achamos que hoje foi igual a ontem e vai ser igual a amanhã.
A felicidade não é uma bênção mas sim uma conquista,faz-nos ir em busca dos nossos sonhos,vamos sofrer,vamos ter momentos difíceis e ter muitas desilusões,mas é tudo passageiro e no futuro podemos olhar para trás com orgulho e dizer valeu a pena o risco,valeu a pena a desilusão e a dor ,pois só assim cresci e percebi que no universo há uma imensidão de planetas e de estrelas e como é bom poder observar a beleza de todas e nunca nos limitar-mos a só uma.
Mas pobre de quem tem medo de correr riscos,porque esse talvez não se decepcione nunca ou tenha desilusões,nem sofra como aqueles que têm um sonho a perseguir,mas quando olhar para trás ,sim ,porque olhamos sempre.
Vai sentir no seu coração aquele vazio que sempre foi seu companheiro de vida e ouve a voz do seu coração,a sussurrar -O que fizeste com a tua vida? com os teus sonhos? com os teus amores?
Enterraste-os bem lá no fundinho onde nunca mais os pudesse ver nem ouvir nem sentir e sequer tocar e te lembrar que algum dia desperdiçaste a tua vida,porque tinhas medo,tanto medo de perdê-los,mas afinal nunca os tiveste na realidade.
Pobre quem procura preencher esse vazio com algo que não seja o seu ser e que constantemente tenta provar quem é e de como é ,pois é exactamente essa carência esse vazio que tem que o repete tantas vezes e sempre culpando tudo e todos pela sua própria cegueira.
A vida tem a cor que nós queremos que ela tenha,tanto na dor como na alegria.
Sábio é aquele que não tem necessidade de se expor nem criticar,simplesmente ouve e observa...
Livre é aquele que corre o risco e aceita a impermanência da vida,pois na verdade todos temos de passar por o que a vida nos dá e põe á prova, para quê resistir?...
--
Sabbe satta sukhi hontu

quarta-feira, 3 de março de 2010


MEDITAÇÃO
O que é meditar?
Meditar é esvaziar a mente ,não é parar o pensamento porque isso não é possível só quando morremos.
Meditar é deixar de controlar o pensamento de o analisar,senti-lo e deixar-lo ir como se uma brisa se tratasse.Se leva tempo e se é difícil até se conseguir meditar? claro que sim,mas na vida nada é fácil...
As nossas ansiedades,medos ,culpas,prazeres ,ego que acumulamos dia a dia isso condiciona-nos e demora até nos conseguir-mos libertar.
Com a meditação conseguimos a libertação do ego dos quereres e afazeres.
Podemos ler livros ,ouvir mestres e doutrinas mas não é só isso que vai resolver os nossos problemas , ficar-mos a conhecer o nosso ser no mas profundo intimo e aquietar a nossa mente,mas sim, meditar é o caminho...
Não devemos ter medo dos nossos pensamentos eles são os nossos filhos ,devemos ouvi-los compreende-los e acarinha-los,para conseguir perceber o porquê de terem sido criados por a nossa mente.
A meditação no silêncio ajuda-nos a esvaziar o lixo que a nossa mente acumula diariamente,porque estamos simplesmente ,só connosco em silêncio...como é bom como é gratificante sentir nada.
Em silêncio faz
-nos estar mais no agora,sentir o presente,ouvir aquele pequeno gemido do vento por entre os vidros da janela,sentir a própria respiração a acalmar e o gosto na boca do café que tinha bebido,e as cores do arco íris que os meus olhos vislumbravam enquanto estavam fechados e o cheiro do incenso a percorrer caminhos nunca antes percorridos.
Depois de sentirmos o que nos rodeia aparece o silêncio,está tudo quieto com espaço,um imenso espaço pois já não há ego e quando isso acontece ,há amor por tudo e todos.
Meditar é perceber e distinguir o que é verdadeiro e o que é falso.
Meditar é voltar a acreditar na vida e perceber que não é um conto de fadas,simplesmente é como é,e a verdadeira magia é aceita-la tal como ela é...
este texto é baseado no livro "Meditação-a luz dentro de nós " de
Krishnamurti e na experiência do meu 1º retiro de meditação budista

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Simplesmente estar...



Simplesmente estar ...segundo a minha realidade nada mais.


Este é um assunto em que eu própria tenho dificuldade em coloca-lo em prática no dia a dia ,simplesmente estar, sem me tornar desatenta e desligada do meio que me rodeia.Poderia ser tão simples como beber um copo de água ,mas não é ou seja é ainda mais simples que isso não fosse a nossa mente egoica que quer controlar tudo.


Nós projectamos-nos constantemente para o passado ou para o futuro como se de um filme se tratasse ,porque simplesmente não estamos no momento presente e precisamos voltar a sentir a nostalgia daqueles momentos maravilhosos que já passaram ou simplesmente o nosso presente é tão aborrecido e vazio que não conseguimos estar nele ,então começamos a sonhar com um futuro cor de rosa, assim não estamos a colocar objectivos na nossa vida porque se assim fosse era positivo, mas sim a criar uma ilusão que mais cedo ao mais tarde nos vai trazer muitos dissabores,pois quando cairmos na realidade e verificar que tudo não passou de uma projecção de um futuro que nós gostaríamos que acontecesse com todos os floreados e pormenores de uma vida perfeita,mas a vida não é perfeita e enquanto não a aceitarmos como ela é vai ser difícil e doloroso viver nela,mas é com as ilusões e desenganos que retiramos grandes lições para a vida.


Quando digo aceita-la como ela é não me refiro a deixarmos guiar por o vento e não ter objectivos de vida e pensar aquela frase "que a vida me dê o que eu merecer" e depois sentamos-nos á espera que algo aconteça sem nada fazer sem lutar isso parece-me um pretexto de quem não se acha merecedor de ser feliz .


Quando não estamos completos , sentimos um vazio ,em algumas pessoas é consciente que é quando nos reduzimos e achamos que nunca somos suficientemente bons e noutros é inconsciente aí revela-se como uma ânsia possuir ou querer mais ou precisar de algo para tapar esse buraco.Simplesmente sentir e estar no presente não é de maneira nenhuma centrar-se no umbigo como se fosse uno e o eu ,ser o principal tema e tudo o que se passa á volta é uma mera paisagem que só é importante se trouxer benefícios e descartável e esquecido quando não é necessário ,a isso não se chama estar, mas sim egoísmo.Enquanto for o ego a controlar a nossa vida nunca vamos conseguir simplesmente estar no presente ,porque não aceitamos as adversidades e as fatalidades da vida da mesma maneira que aceitamos os presentes e os momentos de felicidade.Para sentirmos o presente temos de eliminar o conceito tempo,pois ele é uma ilusão para nos afastar do presente e nos levar a viajar para o passado ou futuro.


Quando estamos no estado de inteira presença ou seja simplesmente estar,a mente esta livre de pensamentos ,chama-se o silêncio da mente.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Racional ou Emocional?

Nunca vamos compreender o que é incompreensivel,ás vezes tudo é simples e nós tornamos-os complexos e outras vezes são complexos e nós tornamos-as simples ,depende como nos sentimos e do momento que estamos a viver.
Muitas das coisas se baseiam na emoção,e a emoção é a capacidade que nós temos de sair do estado vegetativo interior pela a alegria ou tristeza ,há uma reacção excessiva diante de um acontecimento que deve ser controlada para não se cair em extremos.
Temos a sensibilidade que é aliada da emoção e é a capacidade que temos de receber e perceber as sensações do próprio corpo e do mundo que lhe é exterior ou seja de amar,desejar sofrer,comover-se e emocionar-se a delicadeza de sentir a fantasia e a criatividade..
E a racionalidade, é acreditar nas ideias inatas e no raciocínio lógico através da razão.
Ser racional é ser demasiado frio,consciente e prudente, ser emocional e ser aventureiro arriscado e verdadeiro.
Sentir a emoção ou racionalizar as coisas torna-se tão complicado quanto mais sentimos mais nos descobrimos quanto mais nos descobrimos mais ficamos baralhados num terramoto de ideias a vibrar na nossa cabeça, ficamos em conflito interno com a razão e o coração ou seja a emoção,qual delas é que vamos ouvir? umas vezes vamos por a razão aquele que era mais segura para nós que nos vai proteger e no fundo ficamos a pensar e se tivesse ouvido a minha emoção teria sido igual?outras vezes escolhemos a emoção e acabamos por pensar se teria sido melhor termos escolhido a razão.
O mundo de hoje é guiado e orientado por os racionais e aliás os emocionais até são enxovalhados,são dados como os sensíveis ,chegamos ao ponto em que a sensibilidade é gozada nos homens é vista como homossexualidade, nas mulheres e vista como fraqueza ,é pena que se tenha perdido ou reprimido ao longo dos anos ,este dom a sensibilidade e a emotividade elas são irmãs de sangue, sim porque elas estão em todos ,na minha opinião a emotividade e sensibilidade é do mais belo que o ser humano pode ter quando é demonstrado sem vergonha ou pudor é do mais genuíno que pode haver ,mas é preciso coragem e força porque está sociedade não está preparada para receber este lado do ser humano ,vivemos no século da razão da força bruta ,do escudo auríco.
Mas quando estamos sozinhos tudo fica para trás ,nada disso existe parecemos umas crianças sentimos e emocionamos-nos deitamos tudo cá para fora tornamos-nos vulneráveis,quando enfrentamos o mundo tornamo-nos demasiados racionais .
Quantas vezes ficamos no limbo da emoção /razão sem saber para onde ir á espera que venha uma rajada de vento para que o destino nos leve para onde nós não sabemos...sim, porque nós muitas vezes nem sabemos para onde queremos ir..
E quando nos sentimos assim é difícil fazer algo que seja,deixamos-nos estar numa eterna e interna indecisão que nos imobiliza dos pés á cabeça.
A indecisão vem dos seres demasiados emocionais que querem á força ser racionais porque esta sociedade assim o impõe e dá-se o grande erro não se sabe para onde ir, que caminho escolher e fica-se ali á espera que se fassa luz.
Contudo deve haver um equilíbrio entre a razão e a emoção,pois não podemos ser manteiga nem ser gelo...